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Glossário

Ensilagem
Descreve o processo em que a forragem é armazenada na ausência de oxigênio e carboidratos são convertidos em ácidos orgânicos produzidos por bactérias láticas na massa colhida.
Estabilidade aeróbia
A silagem que aquece quando exposta ao oxigênio demonstra instabilidade aeróbia. Em testes de pesquisa, o termo estabilidade aeróbia é definido como o tempo necessário para a temperatura da massa exceder em 2ºC da tempertaura ambiental. A maioria dos eventos de aquecimento observados na silagem resulta do crescimento de leveduras em um primeiro momento. Posteriormente, outros microrganismos também atuam elevando a temperatura por efeito da deterioração aeróbia.
Etanol
Produzido principalmente pela atividade fermentativa de leveduras, mas também por bactérias ácido láticas heterofermentativas. Se o teor de etanol é relativamente baixo, e os níveis de ácido lático e acético estão adequados, o etanol provavelmente é de origem das BAL heterofermentativas. Por outro lado, se o nível estiver alto, a fonte provavelmente é de leveduras. Em qualquer caso, observe também o nível de proteína ligada ao FDA (PIDA). Se o PIDA for maior que 10% da PB, então houve aquecimento (reação de Maillard) e o etanol provavelmente veio da atividade de leveduras. Em alguns casos, o nível de etanol não aparece elevado, o que pode ocorrer devido à sua volatilização em função do aquecimento.
Fermentação
Assim que o suprimento de oxigênio se esgota na massa de forragem, os microrganismos que precisam de oxigênio param de crescer (aeróbios obrigatórios) e a planta cessa a respiração. Microrganismos que podem crescer na ausência de oxigênio (anaeróbios e anaeróbios facultativos) iniciam a fase fermentativa, gerando vários produtos de fermentação. Os produtos de fermentação podem ser o ácido lático, acético, propiônico, butírico, 1,2 propanodiol, etanol, entre outros.
Fermentação secundária
Qualquer fermentação que ocorra após a fermentação primária (ou seja, após a produção de ácido lático). No entanto, o termo fermentação secundária geralmente é usado como sinônimo de uma fermentação indesejável, seja ela butírica ou alcoólica.
Fibra
Fração estrutral da célula vegetal, compreendida por hemicelulose e celulose. A lignina, apesar de não ser considerada carboidrato, faz parte dessa estrutura. A FDN (fibra insolúvel em detergente neutro) é composta pela hemicelulose, celulose e lignina, já a FDA (fibra insolúvel em detergente ácido) compreende as frações celulose e lignina.  
Forrageira
A planta no campo antes de ser ensilada (por exemplo, milho , sorgo, cana-de-açúcar, gramíneas, alfafa).
Inoculantes
Inoculantes são aditivos contendo bactérias selecionadas para crescer rapidamente e dominar a população microbiana na silagem. Os inoculantes tradicionais contêm bactérias homofermentativas (Lactobacillus plantarum, Pediococcus spp., Enterococcus faecium, Lactobacillus salivarius) para aumentar a produção de ácido lático e, assim, acelerar a queda do pH e diminuir a produção de ácidos acético e butírico. Outros inoculantes possuem bactérias capazes de melhorar a estabilidade aeróbia da silagem, como por exemplo, Lactobacillus buchneri e Lactobacillu hilgardii, que podem ser utilizados associados ou em combinação com bactérias homoláticas.
Leira
A forragem ceifada disposta em fileiras, com largura variável de centímetros a vários metros, deixadas no campo e que com a ação do vento e do sol permita sua desidratação até atingir o conteúdo de matéria seca desejado.
Leveduras e bolores
Ambos são fungos. As leveduras geralmente crescem como organismos unicelulares, enquanto os fungos crescem como filamentos multicelulares. Ambos ocorrem amplamente no solo, na água e na vegetação, proliferando-se à medida que avança a maturidade da planta ou quando há dano (por exemplo, geada, granizo, seca). Além de serem capazes de utilizar carboidratos, tanto as leveduras quanto os fungos secretam enzimas extracelulares, que quebram os carboidratos estruturais em açúcares simples, que podem, por sua vez,  ser usados como substrato para seu crescimento. Muitas das leveduras encontradas no material vegetal contêm pigmentos carotenóides (laranja e vermelho) para protegê-los contra a exposição aos raios ultravioleta e, portanto, podem ser responsáveis por algumas das cores vistas no painel do silo exposto. Embora as leveduras possam crescer em aerobiose, elas também se desenvolvem na ausência de oxigênio, com o etanol sendo um dos principais produtos.  formados. Outros produtos incluem n-propanol, isopentanol, ácidos acético, propiônico, butírico e isobutírico. Na presença de ar, as leveduras oxidam totalmente os açúcares, produzindo dióxido de carbono, água e gerando calor. Muitas leveduras também podem usar ácido lático para o crescimento, novamente oxidando-o totalmente e gerando calor. As leveduras são responsáveis pela grande maioria (>95%) do aquecimento das silagens . Uma população de leveduras > 100.000 UFC/grama na silagem certamente resultará em aquecimento ao ser exposta ao ar durante o fornecimento. O crescimento da levedura pode ser inibido pelo ácido acético. As condições normalmente associadas à silagem estável, baixo pH e condições anaeróbias, não favorecem o crescimento de bolores. Geralmente, bolores são apenas um problema onde ocorreu exposição ao ar, por exemplo, na parte superior e nas laterais do silo, devido a compactação inadequada e desuniforme , em superfícies expostas durante o enchimento e no painel do silo durante o desabastecimento. À medida que a silagem se aproxima do topo do silo, se houver grande número de leveduras presentes, o pH e a temperatura da silagem se eleva, promovendo o posterior crescimento de bolores. O crescimento de fungos é indesejável, pois oxidam totalmente os açúcares e o ácido lático, e também  decompõem (hidrolisam) e oxidam totalmente a celulose e outros componentes da parede celular, resultando em enormes perdas de matéria seca e energia. Além disso, muitos dos fungos comumente encontrados em silagens podem produzir micotoxinas, que causam problemas de saúde, reprodutivos  e reduzem drasticamente o desempenho animal. Finalmente, os fungos produzem esporos que se propagam pelo ar quando a silagem é manipulada e podem causar problemas respiratórios se inalados (tanto para os animais como para os humanos).
Matéria seca (MS)
Uma vez que toda a umidade é retirada da forragem, o que resta é a matéria seca. A MS é medida como uma porcentagem, pesando a forragem fresca, secando-a e pesando novamente quando o mesmo estiver totalmente seco. O teor de matéria seca é calculado como: Matéria seca (%) = (Peso seco/ Peso fresco) x 100. Por outro lado, o teor de umidade (%) é obtido por: 100 - %MS = % umidade.
Microrganismos aeróbios estritos
Microrganismos que necessitam de oxigênio para crescer.
Nitrogênio amoniacal
Altos níveis de nitrogênio amoniacal mostram que houve degradação excessiva de proteínas, seja devido ao emurchecimento prolongado (alta atividade respiratória da planta no campo) ou devido à atividade microbiana. O nitrogênio amoniacal deve ser, preferencialmente, <10% da PB das silagens em geral. O excesso de proteólise microbiana (quebra de proteína) pode ser devido ao metabolismo intenso de clostrídios (observe se o nível de ácido butírico também é alto: >1% de MS).
Perdas de matéria seca
As perdas de MS resultam de processos ocorridos durante a fermentação e o pós-abertura do silo. Essas perdas podem variar de acordo com o manejo realizado durante a confecção e uso da silagem.
Pré-secado
Embora o uso do termo possa variar, ele geralmente é usado para alfafa ou gramíneas confeccionadas com teor mais alto de matéria seca (>30% MS), obtendo resultados ótimos com valores entre 40 - 65% MS.